terça-feira, 1 de junho de 2010

Desigualdade social



Desigualdade social

De onde vens?
Que idade tens?
Como te chamas de verdade?
Qual a tua mensagem para a humanidade?
São infinitas as questões e as quais até então incluindo tantas frustrações...
Pois tratando-se: de onde vens? Realmente inspira curiosidade, medo, angústia. Parece tratar-se de um monstro.
Um monstro que fragmenta, diminui, desvaloriza, suga a dignidade humana.
Quantas pessoas vivem sem direção, sem teto, sem comida, sem emprego...
Vivem em desespero porque não tem como manter a si mesmo, nem a sua família.
Que tal sair do comodismo e pensar um pouco mais sobre a miséria material e psicológica, que estão vivendo tantas crianças e tantos adultos.
Pois nem “dignidade” tem mais para manter seus filhos por perto, Isto é, junto de si...
Quem é responsável por tudo isso?
Serão eles(pais) próprios?
Falta-lhes comida, emprego, amor,...
Podemos de certa forma dizer que eles (pais) também são responsáveis. Mas quem antes deles, sabotou suas consciências?
Será o tal monstro manipulador, desatento, calculista, egoísta, frio?
Parece que o monstro vem de uma mente gananciosa e engessada, que não se dá ao trabalho de pensar no outro, acredita que o outro está fora dela, ou que não é responsabilidade da mesma.
E a idade do monstro? Parece antigo, primitivo. Comporta-se de maneira covarde, não evolui, não percebe o amor, não vive o amor, por isso quer apenas competir, manipular, ganhar.
Passam-se os anos e a mente monstruosa permanece paralisada no egoísmo, não enxerga o outro, logo o seu irmão, como merecedor da dignidade humana...
A cada momento os “pequenos” estão sendo engolidos por um sistema perverso. Consequentemente os pais vão deixando seus filhos pelo “caminho”, pois nem emprego, nem consciência... A consciência se foi...
E os cultos e bem formados dizem: “este pai está colhendo o que plantou”. Sim de certa forma tem sentido... Mas será que toda responsabilidade é de um só? Ou o sistema (desigualdade social ou monstro) que aos pouquinhos desviou o “olhar” pelos menos favorecidos, empobrecendo os seus espaços, os seus movimentos, deixando-os com mentes temerosas, fragilizadas e acreditando que pouco merecem  ... e o que lhes resta mesmo é rastejar ...
Terá a desigualdade social um propósito?
Ou a discrepância sócio-econômica-cultural, apenas afunda e denigre as pessoas que já estão desorientadas e despreparadas?
Ainda muitas vezes lhes resta outro monstro, que é a questão da droga. As famílias já sem força para lutar e ainda tem que pensar como proteger os seus filhos do mundo da droga. Será que conseguem?
Ou os mais favorecidos vão ter que fazer a sua parte? Isto é, cada um se colocando realmente no lugar do outro, e fazendo a sua parte, depois se somarão as partes e formarão o todo, e o todo inclui originalmente o bem, o próprio Deus.
E a desigualdade social também pode acordar o coração e a mente do homem, se o mesmo permitir...
O processo de dor e miséria que a desigualdade social incluiu, servirá para gerar um movimento especial em cada homem que mantêm a sua consciência. Proporcionará que o homem se torne maior na sua capacidade de amar, que se permitirá aprender sobre o amor incondicional, pelo qual nascemos e morremos.
Que possa pensar sobre todas as pessoas e todas as coisas do mundo com humildade e amor, pois se está em tudo e em todos.
E o existir vai ganhando como missão a transformação da desigualdade social em igualdade social. O monstro vai se diluindo..
                A consciência assumindo o seu espaço com delicadeza, respeito, simplicidade e igualdade de direitos.
Dedico este texto, principalmente a todas as crianças que estão longe de seus lares originais.
Aos lares substitutos que com esforço e coragem acolhem as crianças vitimas principalmente da desigualdade social.
Aos pais sofridos, que desconectados de suas consciências, nem mais conseguem embalar, alimentar e amar seus filhos.
A todas as pessoas que se propõe a respeitar, a não discriminar e a amar as crianças que não estão sendo cuidadas pelos seus pais biológicos.
Que essas crianças transcendam todas as carências e se tornem adultos que acreditem na transformação da mente humana, que queiram ser amados e entregar o seu amor, na construção de um mundo mais positivo e democrático.
Obrigada a Deus pelo impulso que me leva a refletir com tantas pessoas sobre a possibilidade de uma sociedade mais democrática e amorosa.

Carmen Delourdes silva Fernandes
Psicóloga