sábado, 26 de junho de 2010

Meus Queridos Alunos



Meus Queridos Alunos
Vou contar-lhes uma história:
Nasce uma criança, a mãe trata de cheirá-la, de beijá-la, mas também embaraçada de como vai ajudar a desenvolver a mesma. Será que vai ser capaz?
Essa criança ao chegar à puberdade percebe a capacidade afetiva da mãe e resolve experimentá-la, gritar os seus conflitos, a sua dor, a mãe não se dá conta quanto a bagagem que carrega, e fica muito assustada.
O filho já na adolescência pede espaço para assumir a sua fragilidade, o seu desencontro. Briga, agride a mãe. A mãe perde-se, entra em conflito com o filho, e briga também com o mesmo, pois tudo naquela fase era novo e assustador para ela.
Há, portanto uma grande e desgastante briga, uma briga no fundo de amor, ora aparecendo ódio, ora aparecendo amor, tudo muito ambivalente entre mãe e filho.
Após uma luta cerrada, a mãe sentindo-se na obrigação de entender seu filho, faz uma significativa parada e começa então a poder entendê-lo. Ela sai de uma etapa mais regressiva, isto é, assume que seu filho cresceu, desprende-se de seu filho criança e dá licença para seu filho elaborar seus lutos da adolescência.
Cumprem-se então duas etapas, isto é, a mãe elabora seus lutos e o filho também.
Isto é colocado em pauta de forma corajosa e atrevida entre ambos.
Nota-se a partir daí uma certa depressão no clima que os cerca, pois há a consciência de tudo que se abandonou, que agora tudo mudou, a maneira de se relacionar principalmente, observa-se um maior crescimento. Ambos saem da mania. É um tanto desconfortante a mudança, mas é real, verdadeira.
Neste clima mais maduro, tanto se pôde ver, trocar, aprender um com o outro. Pois viver, se relacionar é poder crescer eternamente, principalmente quando se afrouxam as defesas, quando um assume humildade diante do outro.
Não foi preciso abafar as brigas, mas foi preciso sim não fugir das mesmas, enfrentá-las e entender o seu significado. Tudo se torna proveitoso quando se trata de enfrentar as situações difíceis. A briga não foi estéril, deu chance de entender o funcionamento psicológico do homem de uma forma mais profunda.
Esta mãe não esteve sozinha nesta caminhada, no primeiro momento principalmente esteve muito assustada e humildemente procurou apoio, ajuda e foi correspondida, logo podendo encontrar-se e seguir seu caminho, como já foi dito.
Queridos alunos vocês sabem quem desempenhou o papel de filho nesta história? Sabem quem desempenhou o papel de mãe nesta história? E sabem que tudo isto foi preciso para haver uma profunda troca de experiências e aprendizagens. E que no final o filho e a mãe assumiram uma relação de igualdade, e hoje são dois adultos desfrutando de uma mesma sobremesa, uma situação de amor, de integração, de prazer?
Que linda é esta experiência!
Obrigada a todos pela chance de crescer.
Um profundo abraço.
Carmen D. Silva Fernandes
Psicóloga