sábado, 26 de junho de 2010

A criança


A CRIANÇA


A alegria de criança

Que o adulto possa ver e "entrar" nela...

A autenticidade

Que o adulto possa aplaudir, reforçar e aproveitar como lição...

Ao movimento

Que o adulto possa acompanhar e fazer descobertas também...

A brincadeira

Que o adulto possa partilhar e perceber aonde a criança quer chegar e o que quer dizer...

As travessuras

Que o adulto possa propiciar clima adequado, não pense só na repressão. As travessuras também podem traduzir busca de desembaraço, coragem, curiosidade, auto-afirmação, etc.

A autonomia

Que o adulto permita a autoridade da criança sobre ela mesma. Saia de si mesmo e pense na realidade da criança, pois também é humana, têm anseios, inquietações e, portanto precisa experimentar-se a sua maneira...

A liberdade

Que o adulto deixe acontecer. Atreva-se a lidar com as mais diversas emoções que num clima de liberdade pode se dar.

Com certeza as vivências da criança se darão de maneira maior, bonita, alegre, sábia e provavelmente sua personalidade se estruturará sem tantos medos e culpas...

Ao choro

Que o adulto possa entendê-lo a princípio como revelação de uma queixa. Portanto envolva-se com a criança para que flua com naturalidade o que está por trás do choro...

E cada vez mais o adulto vai polindo seu sentimento de tolerância e sua sensibilidade.

A agressividade

Que o adulto de imediato dê continente, isto é, mostre-se receptivo à agressividade, depois pense em identificar a razão da mesma. Desarme-se e fique no mesmo plano, na mesma altura da criança, para que seja encontrada uma atitude adequada, construtiva...

Neste processo não há espaço para perdedores ou ganhadores. Se ganha sim, direcionamento, orientação, seriedade na relação com o outro.

A sexualidade

Que o adulto possa entendê-la como importante na vida da criança, faz parte do seu processo evolutivo.

Respeitar e considerar a sexualidade da criança é somar para uma personalidade saudável.

Não faça mistério em relação aos questionamentos que a criança realiza, e sim encaminhe o diálogo para beleza e naturalidade que a mesma requer.

Que o adulto respeite os jogos sexuais (brincadeiras papai-mamãe, etc.), a masturbação, principalmente, pois ocorrem na vida da criança como uma importante descoberta do seu corpo, e do corpo do outro e ainda para satisfazer a curiosidade e desejo do momento. Considerar também que estas vivências não tolhidas ou criticadas, vão somar para uma personalidade adulta mais integrada, direcionada e realizadora.

Aos limites

Que o adulto exercite sua sensibilidade no dia a dia, podendo desta maneira perceber o momento em que a criança está precisando de limites. Pois o limite não quer dizer repressão, desmerecimento, e sim amor, cuidado à criança.

Permitir-se dar liberdade, permitir-se dar limite quando necessário é poder comprometer-se com a criança. E neste clima que se instala passa a haver confiabilidade suficiente também para o adulto perceber suas possíveis reparações, desculpas, elaborações. Crescimento do adulto e da criança.

A magia

Que o adulto se permita envolver, penetrar, pelo encantamento, ternura, doçura, naturalidade que a criança possui. Desta maneira afrouxa-se para a vida, tornando-se mais "doce", menos "duro", aprendendo a viver da melhor maneira possível os momentos...

A singularidade

Que o adulto não deforme a criança só pensando em "grandes" ensinamentos.

Deixe-a também acontecer...

Por fim, dedico esta mensagem também ao adulto que tanto se empenha para seguir, entender e crescer com a criança.


Carmen Delourdes Silva Fernandes

Psicóloga