terça-feira, 1 de junho de 2010

O idoso



o idoso

Era uma vez uma consciência...

E hoje, onde está?

Como está?

Enfim, qual é o nosso papel perante o idoso?

Será que temos obrigações? Ou não?

Pois é, um “dia” este ser que hoje é idoso teve tantas e tantas obrigações...

Assim anda o idoso por aí.

As “pessoas” estão muito ocupadas e o idoso quase não cabe em nenhum espaço...

Lastimável esta sociedade materialista, desumana e insensível.

Pois se supõe que todos os seres obrigatoriamente têm que ser pelo menos moralmente respeitados e cuidados.

Não há sequer escuta para o idoso. Há, sim, um jogo de empurra em relação ao mesmo.

O idoso tem uma história de vida, independentemente de nível cultural, social, econômico, raça, etc.; ele é importante apenas porque existe.

A sociedade está empobrecendo ao seu aspecto humano – afetivo, não evolui, principalmente quando não sabe dar continente, acolhimento para o idoso.

Cuida do avanço tecnológico. É a tecnologia que importa, é atualizar-se, é pensar no amanhã, no retorno. São os interesses econômicos que impulsionam, e o amor passa a ser também econômico. E aí se pergunta: - Se o amor tem medida, onde está o coração? Como está sendo formada a personalidade do jovem que será adulto amanhã? Onde está o afeto, a sensibilidade, que dá beleza ao movimento do homem na vida?

É claro que tem exceções, mas predomina o descaso. Não há um investimento adequado na pessoa do idoso, restando uma idéia negativa sobre o envelhecer.

Quem sabe a sociedade se encoraje e dá as “mãos” ao idoso? Pois quanto mais se atende, cuida-se e respeita-se o mesmo, menos fragmentado é o processo de viver. Conseqüentemente, haverá mais preparo para usufruir de todas as etapas e situações da vida. Adquire-se um amadurecimento e a consciência de que fragmentar as pessoas é alienante e ilusório, pouco se ganha.

Dar as “mãos” ao idoso é nunca deixá-lo de fora. É vencer as próprias barreiras, conflitos. É saber perdoar. É olhar com positividade para o idoso, querer superar o egoísmo. É lidar por inteiro com seu próprio processo de viver. É não dispensar os ensinamentos que o envolvimento com o idoso inclui. Pois, verdadeiramente, só há o crescimento quando há o envolvimento, o querer servir, a entrega. Uma vez que o idoso não é uma peça fora, é sim uma parte fundamental de um todo. Portanto, não o despreze, pois se assim o fizer estará desprezando a si mesmo.

Por vezes o idoso não é acolhido, porque as pessoas ficam apegadas ao passado, e a mágoa impede de agir no presente. Pois é, mas e a responsabilidade onde entra? E a obrigação moral?

Portanto no mais profundo de nosso ser somos todos irmãos e a realidade do idoso às vezes é de fragilidade, urgência e respeito. Será que as mágoas têm que ter um porte maior do que a necessidade de um “irmão” (idoso)?

E aí entra a consciência.

As pessoas são chamadas a amadurecer, a cumprir suas obrigações, quando se quer algo se consegue, se acha uma saída.

Faz-se necessário refletir sobre as situações de dificuldade e não negá-las. Pois quando não se assume suas obrigações, a consciência não falha, ela acusa mais cedo ou mais tarde.

Cuidar do idoso é uma realidade, assim como o cuidar da criança, cuidar de cada ser, cuidar do planeta na sua plenitude.

Cuidar do planeta na sua plenitude é o ser humano se permitir resgatar dentro de si valores como humildade, paciência, persistência, entrega, responsabilidade, honestidade, verdade, confiança, comprometimento, simplicidade, alegria e amor.

E assim, a consciência assume bem o seu lugar aceitando as transformações e mudanças do processo de viver, percebendo que as diversas etapas quando vivenciadas com integridade proporcionam a verdade, a simplicidade e a coragem de encarar a si próprio, o irmão, a humanidade.

E então se agradece!

A gratidão traduz a dimensão da consciência.

E na dimensão da consciência está a maior resposta, o maior impulso, a coragem de vencer e transcender, está, portanto o próprio Deus – na sua forma de amor infinito, transcendendo os medos. Percebe-se a meta sagrada, isto é, o amor incondicional a ser vivenciado, cumprido.

A consciência “diz” cuide, assuma, respeite o idoso.

Respeite ainda o tempo de cada ser humano na terra, não o boicote.

E a consciência agradece, ajuda e protege com alegria e amor à humanidade.

Por fim, dedico este texto ao idoso e aos seres que ainda não adquiriram um olhar de positividade, união e amor em relação ao mesmo.

Agradeço ao universo pela oportunidade de somar as minhas idéias.

Carmem Delourdes Silva Fernandes

Psicóloga